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domingo, 11 de agosto de 2013

O início do Kart na Bahia


Ao ler a matéria abaixo, cuja autoria desconheço, resolvi fazer uma postagem sobre o início do Kartismo na Bahia, mais precisamente aqui em nossa cidade do Salvador.
Baseado nas informações contidas na reportagem, vejo que existe um grande desconhecimento sobre o passado do Kart na nossa terra, também sobre os pilotos que foram os verdadeiros pioneiros da modalidade, sobre as pistas que utilizávamos e até mesmo em relação à época que a  Associação Baiana de Kart foi criada!
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Kart Baiano completa 44 anos de tradição - Esporte na Rede

www.esportenarede.com.br/kart-baiano-completa-44-anos-de-tradicao/
30/04/2013 - Antes de chegar à Praia de Ipitanga, o Campeonato Baiano de Kart ainda ... No passado mais distante, pilotos como Elcio Paiva, Berti Sheila, ...


Neste domingo, com a realização da primeira etapa do Campeonato Baiano de Kart 2013, no Kartódromo Ayrton Senna, em Lauro de Freitas, a modalidade escola do automobilismo chega a 44 anos de história na Terra da Felicidade.


Fundada no dia 25 de setembro de 1969, a Associação Bahiana de Karts (ABK) realizou as suas primeiras corridas em uma pista improvisada, no Jardim dos Namorados, trazendo ainda mais felicidade para o domingão dos soteropolitanos. As provas disputadas no “caminho” da praia, ainda são boas lembradas para os que viveram aquela época. Antes de chegar à Praia de Ipitanga, o Campeonato Baiano de Kart ainda passou por um kartódromo no bairro do Costa Azul. Desta época, as melhores lembranças são de um jovem piloto, até então desconhecido, mas que a Bahia viu que tinha futuro no automobilismo, depois de uma impressionante participação.
Ayrton Senna disputou uma prova no Kartódromo do Costa Azul, embaixo de uma forte chuva e chegou com duas voltas de vantagem sobre o segundo colocado, arrancando aplausos do público que lotava as ruas do bairro para acompanhar a disputa.

O Kartódromo Municipal de Lauro de Freitas foi inaugurado, em 1991, mas, só a partir do dia 1º de maio de 1994 que passou a se chamar Kartódromo Ayrton Senna, em homenagem ao grande ídolo brasileiro da Fórmula 1. Nestes mais de 40 anos de história, os baianos conheceram e passaram a torcer por um bom número de pilotos que representaram o estado em competições nacionais.

No passado mais distante, pilotos como Elcio Paiva, Berti Sheila, Ernesto Simões, entre outros, colocaram o Estado nos lugares mais altos do pódio em diversas competições nacionais. No passado recente, Euvaldo Luz, os irmãos Alexandre e André Rosário, Tadeu Mascarenhas e Rogério Rezende fizeram a sua parte em competições nacionais.
O Kart baiano também levou pilotos os pilotos Diego Freitas e Patrick Gonsalves ao seleto mundo da Stock Car. Hoje, pilotos da categoria cadete como Juan Manuel, Enzo Lopes, Diogo Andrade, Matheus Braga, Henrique Ferreira e Elias Ávila sonham com uma carreira no automobilismo e tem como meta levar a bandeira da Bahia para a Fórmula 1.
No domingo, o público que é fiel a está modalidade há mais de 40 anos, vai acompanhar disputa nas categorias Cadete, Sênior 125cc, Super Kart 125cc, Sport 400 e Sport 400 Junior. As categorias Cadete e as Sport 400 competem com motores Honda de quatro tempos. As demais com motores de dois tempos, com 125 cilindradas, refrigerados a água. A expectativa da ABK é de que mais de 40 pilotos participem da competição.

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OS PIONEIROS:

O Kart foi trazido para a Bahia pelo piloto Paulo Lanat em 1960, poucos meses depois do aparecimento do mesmo nas pistas brasileiras.
Houveram algumas corridas no ainda pouco habitado Loteamento Clemente Mariane, situado entre os bairros da Barra e da Graça, mas logo perceberam que o local era inadequado e então as provas passaram a ser realizadas na Lagoa do Abaeté, que era uma área mais deserta e sem vizinhança para reclamar do barulho.
Aconteceram também algumas provas no Farol da Barra, como preliminares de algumas corridas de automóveis que ali se realizaram.
Os pilotos que corriam naquela época, entre outros, eram Paulo Lanat, Nelson Taboada, Lulu Geladeira, Kurts Kaepler, Zelito Gil Ferreira, Bruno Neuwirth, Mario Gonzales.

Corrida de Karts na Lagoa de Abaeté no inicio dos anos 60.


Lotemento Clemente Mariane em 1961, local utilizado para algumas das primeiras corridas de Kart em Salvador.

Jornal A TARDE de maio de 1961 relata a vitória de Kurts Kaepler em uma prova de Karts,  preliminar à de automóveis, no Farol da Barra.

O RETORNO:

As corridas de Kart que haviam parado após a morte de Paulo Lanat, seu maior incentivador, voltaram a acontecer a partir de 1965 na Lagoa de Abaeté e em Ondina (em frente ao antigo Parque de Exposições hoje Campus da UFBA), inicialmente de uma forma extra oficial pois as mesmas eram organizadas pelos próprios pilotos, tinham público reduzido e estrutura muito simples.

Entre os pilotos que corriam naquela época estavam, Kurts Kaepler, Leonardo Godoy, Ingo Ahringsmann, César Mesquita, Paulo Freire, Alberto Castro Lima, Gil Ferreira, Bruno Neuwirth, Délio Almeida, Mario Gonzales, Raimundo Castro, Áureo Rohrs, Paulo Medeiros, Edson Paiva, 
Jean Pelegrini, Élcio Paiva, Francisco Pessoa, entre outros.

                            
Uma das primeiras corridas de Kart em Ondina,provavelmente em 1960, no sentido horário.

Corrida de kart em Ondina em 1965, já na segunda fase, no sentido anti horário.

Também em 1965, aconteceu uma corrida de Karts dentro do Yacht Club da Bahia, no local onde tinha sido demolido o antigo estaleiro e que atualmente é a sede social.
 Aproveitando a grande área livre, alguns associados que também eram automobilistas, pediram permissão à diretoria do clube e realizaram ali a corrida.
Alguns dos pilotos participantes foram: Ingo Ahringsmann, Leonardo Godoi, Cesar Mesquita, Francisco Pessoa, Élcio Paiva, Mário Gonzales (Mario Mecânico), Bruno Neuwirth e Délio Almeida, entre outros.  
Registro da corrida no Yacht Club da Bahia, no livro "YACHT 75 anos".

Após a criação da  Associação Baiana de Kart em 1966, ai sim o esporte começou a reunir maior numero de praticantes, com corridas mais bem organizadas e um público maior.
O local das corridas também passou a variar, com provas em Água de Meninos, Lagoa do Abaeté, estacionamento da Fonte Nova e posteriormente no Jardim dos Namorados.

Abaixo, os resultados de algumas corridas da época dos pioneiros, em reportagens da revista autoesporte:

 Corrida na pista de Abaeté.

Reportagem original da revista autoesporte nº20,  junho de 1966.



Élcio Paiva, Equipe Racio, correndo com um Mini em 1966, na pista de Água de Meninos.

Reportagem original da revista Autoesporte nº23, outubro de 1966.

Corrida no jardim dos namorados em 1972.

Nota de jornal sobre uma prova realizada no Jardim dos namorados no meado dos anos 70.


Após a fase do Jardim dos Namorados o Kart ganhou uma casa nova e aparentemente definitiva, o kartódromo do Stiep, que ficava logo no inicio da atual avenida Magalhães Neto, ao lado do canal.  Tudo corria bem, o número de pilotos aumentou muito, tivemos provas do campeonato brasileiro e o esporte se fortaleceu, ocupando a Bahia um lugar de destaque a nível nacional.
No final dos anos 80 a especulação imobiliária engoliu o kartódromo, tendo uma construtora ficado com o terreno e em troca construiu o Kartódromo de Lauro de Freitas em terreno cedido pela prefeitura local, a mesma que hoje esta tomando o terreno de volta para construir um centro esportivo de judô (?).
Bom, mas ai é um assunto atual, que todos os amantes do esporte a motor estão aguardando o desfecho com muita ansiedade! 

Mauricio Castro Lima

ATUALIZADA EM 20/11/2018.
ATUALIZADA EM 20/10/2020
ATUALZADA EM 28/08/2025..

Material utilizado na postagem: reportagens da revista autoesporte nºs 20 e 23, texto elaborado pelo autor,reprodução de matéria postada em www.esportenarede.com.br, foto do albúm FAMILIA TABOADA, reportagem do jornal A TARDE de maio 1961.Matéria do livro Yacht 75 anos. Fotografia de Lenio Braga.  

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A AVENTURA DO AMPHICAR!




O Amphicar foi projetado por um piloto de corridas alemão chamado Hans Trippel, que tinha em seu curriculum passagens pela Bugatti e Mercedes Benz, onde nesta última, teria inventado as famosas portas "asa de gaivota" da Mercedes 300 SL.
Era fabricado na Alemanha, (Alemanha Ocidental naquela época), por uma pequena firma denominada ACV Amphicar Vertriebgeselschaft M&H.
Como o nome já dizia era um veículo anfíbio, para uso civil, o único no mundo produzido em série e vendido regularmente no mercado automobilístico. Entre 1961 e 1968 foram  produzidos apenas 3.880 exemplares, de um total inicialmente previsto para 20.000 unidades.
Aparentemente as dificuldades nas vendas foram devido ao alto custo de produção do automóvel, o que acarretou a paralisação da produção em 1968.



O Amphicar era um bom carro, tinha desempenho razoável para os fins aos quais se destinava,  usava mecânica inglesa Triumph  de 1.200 cc e 38 cv a 4750 rpm, montado na traseira, o que lhe permitia atingir cerca de 120km/h em estradas e cerca de 12 km/h na água em velocidade cruzeiro. Tinha capacidade para 4 pessoas mais bagagem, era fácil de dirigir e manobrar, com comandos de simples acionamento para entrar na água ou sair dela. Usava uma caixa de transferência tipo as de Jeep,(para engatar a tração 4x4), que se incumbia de fazer funcionar as duas hélices de nylon que ficavam fixas na traseira do veículo.



Foi fabricado exclusivamente no modelo conversível e era oferecido nas cores branco, vermelho, azul e verde. Como equipamentos de série, o Amphicar dispunha de bomba d’água de porão, lavadores de para brisa, relógio, velocímetro com odômetro, luzes de navegação, cinzeiro, acendedor de cigarros, aquecimento interno, acelerador manual para navegação, além de luzes indicativas para farol alto, pressão do óleo, pisca pisca, ignição e  funcionamento das hélices.




A travessia do canal da Mancha.


Para provar a segurança e navegabilidade do veículo, a fábrica entrou em uma aventura sem precedentes na história, preparou dois Amphycar para juntos realizarem a travessia do canal da Mancha, saindo de Dover na Inglaterra para Calais na França, isto num dia de mau tempo e mar revolto com fortes ondas.A travessia de 30km foi realizada em 8 horas, sem nenhum problema até perto da praia de Calais, quando o segundo Amphicar teve uma pane no bombeamento de agua e devido às fortes ondas, teve o compartimento do motor alagado que consequentemente veio a parar, tendo que ser rebocado pelo outro carro durante os últimos metros do percurso.A façanha dos bravos carrinhos foi contada em detalhes na revista Quatro Rodas nº 69 de abril de 1966. 





Abaixo a foto de um Amphycar navegando no Grande Canal de Veneza.


NOTA DO AUTOR: As informações sobre número de unidades fabricadas e as datas, são muito divergentes em cada uma das publicações consultadas, chegamos aos dados acima após uma criteriosa pesquisa nas publicações mais antigas que consideramos de maior confiabilidade, o que no entanto não garante que estas informações estejam totalmente corretas.





Material utilizado na matéria: Fotos retiradas da Internet sem indicação de direitos autorais, reportagem da revista Quatro Rodas nº 69 de abril 1966, catálogo original do Amphicar, texto do autor baseado em consultas a várias publicações.