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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Equipes baianas- Escuderia AF (Parte 2)


HISTÓRIA DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO



ESCUDERIA AF- CONTINUAÇÃO


OS PUMAS

O primeiro Puma da lendária Escuderia AF foi um modelo 1968, carroceria nº001 e chassi nº 1.430.111, denominado Espartano Esporte GT, com fibra na espessura normal de linha, porém fabricado pela Puma, especialmente para competições, poderíamos dizer que foi o percursor dos modelos espartanos com fibra mais fina que seriam produzidos posteriormente. A mecânica foi preparada por Jorge Lettry visando a estreia do modelo Volkswagen nas pistas, exatamente nos 500 km da Bahia. Com relação à carroceria e chassi, tinha suspensão mais rebaixada e recalibrada, estabilizadores dianteiros e traseiros, alterações nos para lamas para acomodar as rodas Scorro de 6 polegadas, entradas de ar maiores, interior sem forração e acabamento bem simples (daí o nome espartano), ”Santo Antonio” preso ao chassi, bocal do tanque especial para abastecimento rápido, limpadores de para brisa duplos e juntos, parecidos com os que a Puma adotaria nos modelos de rua a partir de 1974, saia traseira mais curta, bancos adaptados para competição, instrumentos colocados para melhor visualização, etc.

 Inicialmente veio de fábrica pintado na cor amarela, (uma tonalidade bem parecida com o antigo AMARELO MIXING do catálogo da Puma), com a faixa preta lateral circundando a capota até juntar com a outra lateral, que ficou bem característica dos modelos de competição, tendo saído também em alguns modelos de linha a exemplo do Puma 1.800.

Na primeira corrida, os 500 km da Bahia de 1968, foi pilotado por Lulu Geladeira e Norman Casari que por indicação de Jorge Lettry, após a desistência de Nelson Taboada de participar da corrida, acabou convidado por Adriano Fernandes uma vez que André Burity correria com Ubaldo Lolli no outro carro da equipe que era um VW 1600. O Puma recebeu o nº. 17, que ficaria por um bom tempo como o numero principal da equipe.

Nas corridas que se seguiram, entre elas a prova de inauguração do Autódromo Virgilio Távora, varias em Salvador e Recife além do Norte/Nordeste de 1968 também no Ceará, este puma continuou usando o numero 17 e a NOVA carretera Volkswagen, (oriunda de um "Pé de Boi" 0 KM), passou a usar o nº 71.
 Para os 500 km da Bahia de 1969, a fábrica PUMA entregou à AF o Puma Espartano modelo 1969 que tinha a carroceria com a fibra bem mais fina, além de detalhes que só apareceram nos carros de linha tempos depois, a exemplo do para brisa com os cantos arredondados. Este novo Espartano tinha barra de proteção (Santo Antônio) incorporado ao chassi, acrílicos em substituição aos vidros laterais e traseiro, com vigia de correr nas portas. Enfim, era totalmente concebido para competições, com motor , caixa e demais componentes mecânicos Porsche 1600, (aparentemente o único exemplar a receber a mecânica PORSCHE que se tem noticia).
O novo Puma  recebeu o nº17, passando o Puma 1968 a usar o nº71 e o NOVO protótipo VW (que substituiu a carretera "Pé de Boi", que havia capotado no Ceará) a usar o nº. 717.

 O Puma exposto no Posto do Cristo em Salvador, já com novo visual proporcionado pelas entradas de ar tipo periscópio, rodas e pneus mais largos, suspensão mais baixa e radiador de óleo externo.

 Nesta foto o Puma mais antigo no Autódromo Virgílio Tavora no Ceará, note-se bem os limpadores duplos parecidos com os que a Puma adotaria nos carros de rua, a partir de 1974.


Nos 500 km de 1969, o novo Puma-Porsche nº17 foi pilotado por Lulu Geladeira e André Burity, e o Puma 68 antigo, agora com motorização VW 1.8 (com o desenvolvimento dos motores Volkswagen, estes passaram a ter muito mais competitividade) e novo visual bem mais agressivo devido às entradas de ar (tipo periscópio), radiador externo e rodas mais largas, passou a usar o nº 71 e foi pilotado por John Didric Brusell e José Luis Bastos.



O Puma Porsche nos 500 km da Bahia em 1969, exatamente com chegou da fábrica poucos dias antes da corrida.

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AS DUAS FERAS NOS 500 KM DA BAHIA - 1969

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O Puma Porsche em 1970 já com novo visual, entradas de ar sobre o teto, usando o nº 71 e já pintado com nova tonalidade amarela. As faixas pretas originais de fábrica após a nova pintura também foram  excluídas.


Em 1970 o primeiro Puma o modelo 1968 com mecânica VW 1.8 passou a correr com o nº. 70 e o Puma Porsche ,agora já com mecânica VW 1.9 e componentes Porsche (posteriormente passou a usar mecânica VW com 2.200cc com eixo roletado), com um visual bem mais agressivo devido ás novas entradas de ar e radiador externo bem como novas rodas de 10” ,passou a correr com o nº. 71, mantendo esta numeração por várias corridas , vindo depois a mudar novamente em 1971, passando o Puma modelo 68 de 70 para nº17, como era originalmente e  permanecendo o Puma modelo 1969 (ex Porsche) com o nº71.

O primeiro Puma VW a competir e também o vencedor da prova inaugural do Autódromo VIRGÍLIO TAVORA no Ceará, em uma bela pose no pátio da revenda VW Caria Ribeiro na Avenida Barros Reis em Salvador. Aqui ele já usa o nº 70 e uma nova tonalidade de amarelo, tendo sido abandonadas as faixas pretas originais da Puma.


FOTOS DIVERSAS, NOTÍCIAS E CURIOSIDADES:

Nos 500 km do Ceará em 1969, Lulu Geladeira e André Burity alinharam com o Puma Porsche, usando o numero 1, uma vez que já havia um carro inscrito com o numero 17, reparem o detalhe na foto abaixo onde da para perceber o numero 7 que foi apagado de ultima hora. Na foto estão junto ao puma,Lulu Geladeira (de camisa vermelha) e André Burity de macacão e capacete.



Rara foto colorida dos dois amarelinhos correndo juntos na Avenida Centenário, O Puma Porsche é o da frente. Esta foto é do final de 1970 já com a pintura nova e numeração 70 (o antigo) e 71 (o novo). 

    Propaganda da revenda Caria Ribeiro  com um terceiro Puma que nunca chegou a competir.

 
Revista O CRUZEIRO 1969.

 Coluna AUTOMOBILISMO do Jornalista Paulo Brandão.  


Anuário Brasileiro de Automobilismo de 1970 com o Puma 70 da AF na ilustração da capa.


Jornal O GLOBO- Puma nº 71 da AF nos 1000 km de Brasília em 1970 com André Burity e Leonardo Godoi 
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CONTINUA
Link para Escuderia AF (parte 3)


 ESCUDERIA AF- Caria Ribeiro
Por  Mauricio de Castro Lima  2012




Fotografias utilizadas: Acervo pessoal de Eduardo Ribeiro, John Brusell, Mauricio C. Lima
Noticias de jornais e revistas: O GLOBO, Revista O Cruzeiro, Tribuna da Bahia e Anuário Brasileiro de Automobilismo

ATUALIZAÇÕES:
Revisada em 24/01/2015
Revisada em 13/07/2016

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Antonio Justo Couto comentou isso.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh8C0iUG7AWcQQ1C0Ue-vRGAXSHV_stgYIRdzMAJiXWvF7g-8qatc7IrrVSz_5C7IGJF1YFvGtBvWmLEbs-1PKCReSm0QbJkHsIzilVG579t4ijZo3KJqW6VKtYSPYT_a_FoAM-CvGjav8/s1600/n62..jpg
  Antonio Justo Couto  Nessa corrida lancei o volks 1600 para Caria Ribeiro ficando em primeiro.Vou procurar a foto que estamos sendo carregados pelo grande mestre Lulu Geladeira e outros diretores da escuderia AF Na foto estão Antonio Couto Luizinho Bastos e Jhonny.

sábado, 12 de abril de 2014

Equipes baianas - Escuderia AF ( Parte 1)

HISTÓRIA DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO



Escuderia AF - O início





A Escuderia AF foi fundada em 1968 por Adriano Fernandes, Renato Caria, Lulu Geladeira, Nelson Taboada, André Burity, Mauricio Fainstein e Raimundo Heráclito de Carvalho.
A equipe foi uma das principais forças do automobilismo na região Nordeste durante os anos dourados do esporte no Brasil.
Grande parte do sucesso da AF além da excelente estrutura físico/ financeira que dispunha e dos seus bons pilotos, deveu-se também ao importante suporte semi oficial que recebia da fábrica Puma e da Comercial MM. 
Note-se que a relação de Adriano Fernandes e Lulu Geladeira com Jorge Lettry e Mario César Camargo (Marinho), já vinha desde 1961 quando Lulu e outros pilotos, a exemplo do pernambucano Gegê Bandeira, eram convidados por Lettry para pilotar carros da Vemag (ver no quadro abaixo parte de um depoimento sobre Jorge Lettry dado pelo piloto Bird Clemente). 
  
Escuderia AF - Primeira fotografia oficial - 1968

A escuderia AF tinha a  sede dentro da revenda Volkswagen CARIA RIBEIRO, a qual pertencia a Renato Caria, um dos fundadores da equipe e dava todo o apoio mecânico, técnico e logístico necessário.
Os principais patrocinadores da ESCUDERIA AF eram:

CARIA RIBEIRO – revenda Volkswagen
LAJES VOLTERRANA- lajes pré moldadas
BURITY – materiais de construção
KONTIK—agencia de viagens
PEPSICOLA- indústria de refrigerantes
SUERDICK- fabrica de charutos
PNEUService – revenda PNEUS GOODYEAR

Contava ainda com apoio semi oficial da PUMA e SCORRO (fabricante de rodas).


Estrutura da Escuderia AF - Acrescente-se ao organograma, pela parte de Caria Ribeiro a participação de Heráclito de Carvalho e Roland Itém, como fundador e colaborador da equipe.
Também pelas Indústrias de Charutos Suerdick, a participação de Fernando Suerdick como colaborador  da equipe.
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Por Bird Clemente, piloto e historiador do automobilismo brasileiro…

MEU AMIGO, MEU CHEFE, MEU IRMÃO MAIS VELHO

“No começinho dos anos 60 quando eu estava na Equipe Vemag, cada vez que o Wilsinho passava perto de mim ele punha a mão na boca, e com os dedos dava o formato de uma corneta e com ruído característico fazia alusão ao meu chefe, o sargentão Jorge Lettry. Essa era a imagem dele. Exigente, perfeccionista e intolerante era assim a figura que ele projetava. Um Italiano apaixonado pela capacidade dos artefatos bélicos nazistas. Ele era o chefe, eu e o Marinho, sua pequena tropa de elite. Cada vez que assisto esses filmes americanos do sargentão preparando os Marines, eu me lembro do Tenente como ele era chamado por todos.

Sempre com elegante boné, óculos Ray Ban, calça e camisa caqui, que eram praticamente uma farda que caracterizava o primeiro chefe de equipe do Brasil, sem duvida mais elegante que o Neubauer da Mercedes. Nossa vida não era fácil, ele tinha orgulho da gente e nós dele, nas provas longas se incorporavam na tropa, gaúchos, cariocas, baianos, pernambucanos etc., seus preferidos eram Flavio Del Mese, Iwers, Norman Casari, Bob Sharp, Lulu Geladeira, Gege Bandeira entre outros, depois da minha época, Scurachio, Dalpont, Lameirão, Anísio que ele chamava de Rodolfo Valentino


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OS PRIMEIROS CARROS E AS PRIMEIRAS CORRIDAS:

 Volkswagen nº 22 ( à esquerda, ao lado do Simca) nos  500km de Salvador em 1968. Foi o primeiro carro da AF. Nesta prova foi pilotado por André Burity/ Ubaldo Lolli, chegando em 2º lugar.

Volkswagen  Força Livre no VI Circuito de Salvador em 1969. Terceiro carro da AF, era originalmente um "Pé de Boi"  0 KM, que foi transformado em carretera. Aqui ele  aparece em sua primeira corrida com o tradicional nº 71 e pintura amarela da AF.


Puma Espartano 1968 nº 17 (Este Puma, de carroceria nº 001, foi o precursor dos modelos Espartanos de competição fabricados posteriormente). Este Puma foi o segundo carro da Escuderia AF.


O Puma Espartano 1968 nº17, em sua estreia nas pistas pilotado por Lulu Geladeira e Norman Casari, nos 500km da Bahia em 1968 .Teria ficado em 2º lugar atrás apenas da GTA de Piero Gancia/ Emilio Zambello, porem foi desclassificado.


Norman Casari e o Puma 17 - 500km da Bahia 1968.


Jorge Lettry Cuidando carinhosamente do Puma Espartano antes da largada dos 500km da Bahia em 1968.
As rodas Scorro foram as primeiras fabricadas, exclusivamente para este carro, sendo posteriormente incorporadas aos veículos de série.

O Puma Espartano 1968 nº17, vencendo sua primeira corrida no circuito da Cidade Universitária no Recife, pilotado por Lulu Geladeira.

Notícia sobre a primeira vitória de um Puma Volkswagen no Circuito da Cidade Universitária no Recife.

 Volkswagen 71 e Puma 17 (vencedor) na inauguração do Autódromo do Ceará em 1968.


Puma 17 vencendo em Salvador com André Burity, seguido do Volkswagen 71 pilotado por Lulu Geladeira. 
Matéria da revista Autoesporte nº 55 de maio de 1969, sobre a prova acima.


No inicio o nome era " SCUDERIE A.F."

Em 1969 passaram a fazer parte da equipe AF, os pilotos John Brusell e José Luis Bastos.
Volkswagen nº 717 nos treinos da Prova Paulo Lanat em 1969,sendo pilotado por J. Brusell. Nesta foto aparecem ao fundo os pilotos Gil Ferreira (de boné), Gil Ferreira Filho e Lulu Geladeira (de camisa vermelha)

Os dois Volkswagen Divisão 3*  nº 717 (J. Brusell) e nº 171 (José Luis Bastos) no treino da Prova Paulo Lanat, vendo-se ainda um Volks 4 portas também da AF, que foi pilotado nesta prova por Antonio Couto.


500 km Salvador -1969- Volkswagen Divisão 4 - força livre nº 717 - José Luis Bastos (esquerda) e John Brusell. Este Volkswagen veio substituir a antiga carretera 71 (pé de Boi) que foi vendida à Equipe Cravo Bauer, após ter sofrido uma capotagem no Ceará, quando era pilotada por André Burity.                  

* Não confundir a antiga Divisão 3 com a Divisão 3 dos "Pinicos Atômicos" dos anos 70.


CONTINUA
Link para Escuderia AF (parte 2)
https://oldraces.blogspot.com.br/2014/04/equipes-baianas-escuderia-af-parte-2.html

Link para Escuderia AF (parte 3)


ESCUDERIA AF- Caria Ribeiro
Produzido por  Mauricio de Castro Lima - Dezembro de 2012



ATUALIZAÇÕES:
Revisada em 24/01/2015
Revisada em 10/03/2016
Revisada em 13/07/2016
Revisada em 12/04/2017
Revisada em 20/03/2020


 MATERIAL UTILIZADO:
Fotografias das revistas Quatro Rodas e Autoesporte, fotografias do acervo de J,Brusell, Eduardo Ribeiro e Mauricio C. Lima.Reprodução de matéria da coluna RETROVISOR. Reprodução de texto do piloto Bird Clemente sobre Jorge Lettry.


Mensagem do Facebook
MARIO CABRAL FILHO
Estive em todas as corridas da Av. Centenário, como espectador, antes vi as corridas do Farol da Barra até a rua Airosa Galvão, onde morava e volta pela Miguel Bournier. Tenho fotos minhas das corridas da Centenário, algumas muito estragadas, mas tem foto dos Puma, do Alfa Giullia, dos fuscas da Equipe Cascão de Brasília, do BMW, enfim, tinha sei lá 14 anos não lembro agora. Continuo amante do automobilismo, nunca corri, porque nunca construíram um autódromo nesta terra, botei muitos pegas e hoje aos 60 anos uso simuladores de carro com volante Force Feedback para curtir as principais e muitas outras pistas do mundo, correndo com os melhores carros do mundo, com a física aplicada e uma imagem que beira a realidade e a condução destes veículos cada um tendo a sua física e sua potência. Me fugiu o nome agora, coisas de velho, mas é o campeonato de marcas europeu. Grande abraço.