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terça-feira, 10 de abril de 2018

Os destinos da Formula 1




Recentemente fui convidado por uma grande agencia de marketing, para responder a um questionário sobre a Formula 1 atual, os problemas e as mudanças para o futuro, no que prontamente atendi.
Como as perguntas são bastante interessantes e específicas com relação ao momento atual da categoria máxima do automobilismo e envolve um pouco do passado, pedi autorização ao solicitante e as compartilho aqui no blog com vocês.
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Boa tarde Mauricio,

Obrigado pela disponibilidade!

Seguem as perguntas:
 
A F1 NOS ÚLTIMOS ANOS


1- Como você vê a relação da F1 com sua audiência nos últimos anos? O público cresceu ou diminuiu, e porquê?
Nas últimas décadas a Formula 1 vem perdendo audiência por vários motivos, alguns bastante complexos que merecem uma reflexão mais profunda e cujas origens estão nas regras e atitudes tomadas pelos dirigentes da categoria, bem lá atrás, antes dos anos 90, cujos principais relaciono a seguir:  
1- A F1 foi criada a partir de 1950, para ser um campeonato mundial de pilotos, agregando os principais “Grand Prix” que já eram realizados aleatoriamente em várias partes do mundo. O primeiro erro ocorreu quando passaram a valorizar mais o papel das equipes em detrimento dos pilotos, que de fato eram as estrelas do esporte, passaram a premiar as equipes e instituíram um campeonato das mesmas, em paralelo com o dos pilotos. As consequências disso foram nefastas para o aparecimento dos melhores talentos, pois houve com o passar dos anos, um nivelamento por baixo, com pilotos medianos e às vezes até medíocres, ocupando vagas só porque trouxeram patrocínios para determinada equipe. Outra consequência grave foi o fortalecimento do famigerado “jogo de equipe”, que veio a prejudicar bons pilotos apenas por serem o número 2 da equipe, (no Brasil tivemos o exemplo de Barrichello, que sofreu muito com a Ferrari).

2- Em nome da segurança e do “politicamente correto”, a F1 foi extremamente regulamentada, quer seja quanto às regras de pista, onde os pilotos passaram a ser punidos por tudo, o que veio a inibir uma condução mais “agressiva” (que na verdade era o grande show e a adrenalina que fazia os espectadores vibrarem tanto), quer seja pela regulamentação dos carros, que veio a transformar a categoria no momento atual em quase uma categoria “mono marca”.

3- Outro problema grave, que de certa forma tem ligação com os acima citados, é o excesso de novas tecnologias agregadas ao carro de Formula 1, que veio a favorecer mais ainda o nivelamento dos pilotos, (por baixo), controle de tração, telemetria, onde o engenheiro dos boxes consegue até interferir e corrigir erros do piloto!

 4- A maioria dos autódromos tradicionais foi modificada, alguns perdendo totalmente a identidade e traçados tradicionais já consagrados foram desfeitos, resultando em pistas que mais parecem “vídeo game”, ficando quase todos os circuitos com a mesma aparência, chegando ao cúmulo de alterarem até a icônica descida da Eau Rouge na Bélgica...

2- As pessoas passaram a se interessar mais ou menos, e porquê?

Parte desta pergunta já está respondida acima, se levarmos em consideração o público mais velho e os “puristas”, o efeito sobre a audiência, creio que foi devastador, tomemos por exemplo outro esporte, o esgrima, imaginem o que seria se passassem a utilizar espadas a “lazer” controladas por computador, tipo “guerra na estrelas, como ficaria a audiência daquele esporte? Agora voltando ao automobilismo, é mais ou menos o que ocorreu quando se adotou o cambio automático em substituição ao cambio mecânico, com o automático não se erra mais as marchas e era exatamente ai onde se distinguia o nível técnico dos pilotos!

3- Como as novas gerações enxergam a F1? Houve um processo de "envelhecimento" do público?
Sim, existiu um processo de “envelhecimento” do público na última década, porém o problema é que este público que é formado também por pessoas que acompanham o automobilismo há muito tempo, está agora se afastando apesar de gostar imensamente do esporte a motor, não curtem mais a F1 com a mesma intensidade e estão migrando para outras categorias, como as provas de Endurance, de GP2 e Indy, por exemplo.

4- Quais são as perspectivas para o futuro, em relação às novas gerações?
Difícil prever o que acontecerá, tudo vai depender das novas regras a serem adotadas a partir de 2020, se prevalecer o que está anunciado pelos novos controladores, provavelmente a F1 será uma categoria totalmente diferente da que conhecemos...
 
5- Quais são os principais grupos/públicos que acompanham e se interessam pela F1? Mais velhos, adolescentes? Jovens adultos? Como cada um desses se relaciona?

Acho que apesar de ter menos audiência atualmente, a F1 ainda tem um bom público e muito heterogêneo com relação a idade.

6- E em relação às demais categorias de esporte a motor? O interesse tem crescido ou diminuído, e porquê?
Como falei acima, acho que houve também uma migração para as outras categorias do automobilismo.


NOVA GESTÃO DA F1


7.Como você vê a atual mudança na gestão da F1, passando a ser assumida por uma nova empresa? Vai ser bom para esporte, em que medida?
Não vejo com bons olhos esta mudança, a F1 é europeia, um automobilismo que culturalmente é diferente do modelo das corridas norte americanas, logo vejo uma tendência de que os novos donos pendam mais para o modelo de corridas dos EUA.

8- O que acredita que vai mudar, O que acredita que vai melhorar, o que acredito que vai piorar?

Como falei acima, acredito que vai tudo depender das novas regras para 2020, se for feito o que tem sido anunciado, vão haver algumas dissidências importantes a exemplo da Ferrari, que até já anunciou não concordar com as novas regras previstas para os motores a partir de 2020. Vale salientar que a Ferrari, bem como algumas outras equipes de peso, só tem compromisso contratual com a F1, até a temporada de 2019.


MOMENTO ATUAL F1 & BRASILEIROS


9- Como você entende este momento em que o Brasil não tem nenhum piloto na F1? Como isso impacta? O público vai deixar de acompanhar a fórmula um por conta da ausência de um piloto brasileiro? Por que?
Grande parte do público brasileiro, que não entende muito de automobilismo, na verdade torce sempre por um piloto brasileiro, diferentemente de uma parcela bem menor, dos que entendem e acompanham o esporte, independente de ter piloto brasileiro ou não. Creio que a falta de um brasileiro correndo, fará com que uma parcela expressiva do primeiro grupo citado deixe de acompanhar, tal como foi após a morte de Airton Senna.

10- Há novos pilotos (de outras categorias) que podem ser considerados promessas ou que tenham potencial para assumir uma vaga na F1 nos próximos anos? Quem são?

Como falei anteriormente, uma vaga na F1 atual deixou de depender apenas do potencial do piloto, depende também do patrocínio ($) que o mesmo vai levar para a equipe. A curto prazo só vejo a possibilidade de Sérgio Sette Câmara, apesar de que existem ainda várias outras promessas, mas todos ainda a muito longo prazo.


PARCERIAS / PATROCÍNIOS ENTRE MARCAS E EQUIPES

11- Como você vê a o patrocínio de marcas e produtos a equipes / escuderias? Quais são exemplos de marcas que usam bem os patrocínios desenvolvidos para divulgar seus produtos (de qualquer categoria ou segmento)?
E em relação às empresas de petróleo / óleo e gás (como Petronas, Shell, etc). Qual é a importância deste tipo de parceria? É só marketing ou é importante pra pesquisa e desenvolvimento de produtos e melhoria da performance das
pistas/produtos pros consumidores? Como vc percebe as ações de divulgação dessas marcas relacionadas a isso?

A parceria de empresas de óleo e gás com as equipes de Formula 1 é muito antiga e em alguns casos muito duradoura, como por exemplo a parceria Ferrari/Shell. Nestas parcerias não só o marketing conta, mas também as pesquisas e desenvolvimento de produtos mais avançados tecnologicamente e baseados muitas vezes neste conhecimento adquirido nas pistas, são desenvolvidos muitos dos lubrificantes e aditivos que chegam aos carros de rua.

PETROBRAS NA F1 / PETROBRAS & MCLAREN

13- Como você a presença da Petrobras na F1 este ano? Qual é a importância para a Petrobras de estar na Formula 1?
 Acho interessante a Petrobras estar de volta à categoria máxima do automobilismo mundial.

14- Como a notícia da parceria com a McLaren foi absorvida pelo público? E pelos influenciadores de automobilismo/f1?
Posso falar por mim, não tenho dados para uma avaliação mais profunda, como automobilista acho interessante uma empresa como a Petrobras estar ligada novamente ao mundo das competições, porém como brasileiro não sei se é uma boa ideia uma empresa na atual situação de endividamento como ela está, vir a despender tanto dinheiro em uma categoria tão cara como a F1 e creio que muitos acharão o mesmo...

15- Como você vê o atual momento da McLaren? Melhor do que no (s) ano (s) anterior (es), por que?

 Talvez melhore um pouco com os motores Renault.

16.Qual é o valor que existe em uma marca como a Petrobras ser parceiro de tecnologia de combustíveis de uma escuderia como a McLaren?

Como marketing a nível mundial acho que alto, apesar da McLaren não ser tão expressiva como fabricante de automóveis, compensa o alto prestigio que tem os seus carros e como equipe de corridas.

 O contraste entre a romântica Formula 1 dos anos 60.....

... e a Formula 1 da atualidade!

MAURICIO C. LIMA

oldraces.blogspot.com

sábado, 7 de abril de 2018

Os protótipos Elva


  ELVA GT  

Complemento das matérias anteriores sobre a História dos ELVA, carros fabricados aqui na Bahia por Elcio Paiva no final dos anos 60.

A história dos protótipos de competição Elva começa no final da década de sessenta, quando Élcio Paiva, um engenheiro carioca e piloto de Kart, que veio com os pais morar na Bahia, decidiu fazer um carro para uso próprio, baseado nos moldes dos GTs esportivos e de competição que estavam muito em moda àquela época. Para realizar uma empreitada de tal envergadura Élcio contou com a ajuda do amigo e também engenheiro elétrico Raimundo Castro, mais conhecido como “Castrão”. Também participaram da construção do carro os amigos Francisco (Chiquinho) Lima Ribeiro, Paulo Roberto dos Santos e o piloto Lulu Geladeira (mecânica).
 
O GT usaria o chassi e mecânica Volkswagen como era a maioria dos fora de série brasileiros da época, pois não haviam muitas opções no mercado para servir de base para um projeto de porte como a criação de um automóvel esportivo. 
Após a fase inicial de projetos eles começaram a fazer os moldes da carroceria de fibra, na garagem da casa dos pais de Élcio no bairro da Pituba em Salvador.

Além do chassi e da mecânica o ELVA GT herdou dos VW muita coisa da parte elétrica e de acabamentos, tendo algumas peças sido fabricadas com exclusividade para ele, a exemplo de vidros laterais e traseiro, bancos e acabamentos diversos, herdando também dos PUMAS alguns componentes como os limpadores de para brisa.

Os primeiros testes de rua foram um sucesso e o GT agradou em cheio, por onde passava chamava muito a atenção de curiosos e automobilistas de todas as idades. Após os devidos procedimentos técnicos e aprovação no DETRAN o garboso GT, já devidamente emplacado, passou a circular pelas ruas de Salvador enchendo de orgulho os seus projetistas e construtores.
 O ELVA GT,  no antigo Kartódromo do Stiep em Salvador Bahia.
 
 Abaixo as fotografias e a reportagem feita com o ELVA GT em 1971, pela revista Auto Esporte.



As belas formas foram inspiradas no Ford GT 40 e na Lamborghini P 250.


Interior confortável e bonito, com excelente acabamento.

Reprodução ampliada da reportagem da revista Auto Esporte



Reportagem original da revista Auto Esporte, com dedicatória e assinatura de Elcio.

ELVA GT

OS PROTÓTIPOS DE COMPETIÇÃO:

Era a época de ouro do automobilismo baiano, a cidade tinha corridas com regularidade e varias equipes de competição sedentas para evoluir dos carros de turismo, preparados para correr na categoria força livre e migrar para a coqueluche do inicio dos anos setenta, que eram os protótipos de corrida.
  Elcio (à direita) e Chico Ribeiro (dentro do carro), finalizando a construção do Elva III da Equipe RM.

No final dos anos 60 e inicio dos anos 70 construíam-se protótipos por todo o Brasil a fora, do Rio Grande do Sul ao Ceará e como não poderia deixar de ser, a Bahia seguiu a tendência do resto do país. Neste contesto, o Elva se encaixou perfeitamente e logo entrou em cena com uma versão sem capota, baseada nas linhas do belo e aerodinâmico GT.
O primeiro Elva de competição foi produzido para a equipe Cobape, tendo o mesmo obtido alguns bons resultados nas corridas locais e regionais, chegando a correr nos 1.000 Km de Brasília de 1970.


  Protótipo ELVA I da Equipe Cobape, com chassi tubular.

Foram feitos protótipos Elva tanto com o aproveitamento da plataforma Volkswagen, como também com chassi tubular, com características e projetos diferentes, de acordo com a mecânica a ser adotada. 
 O primeiro protótipo ELVA  II da Equipe Cravo-Bauer nº111, utilizava o chassi Volkswagen.



ELVA III da Equipe  RM, alinhado para mais uma largada no Circuito da Avenida Centenário em Salvador, pilotado por Roberto Bahia. Este foi o mais belo dos carros feitos por Élcio.


Protótipo RM – Era uma carroceria ELVA modificada e encurtada, com chassi tubular, era um carro muito veloz, porém deixou de vencer varias corridas devido a falhas mecânicas e excesso dos seus pilotos.

 Protótipo Elva I da Cobape correndo nos 1000 Km de Brasília em 1970, pilotado pelos irmãos Fred e Carlos Leal, teve que abandonar a prova por acidente e consequente falha mecânica.


O primeiro protótipo ELVA I da Cobape, foi destruído num acidente na Centenário, pilotado por Carlos Alberto Medrado.

O segundo protótipo ELVA da Equipe Cravo-Bauer nº2, alinhado para largada no Autódromo Virgilio Távora no Ceará, aparecendo na foto os pilotos Ivan Cravo à esquerda e Otavio Cravo à direita com o capacete na mão, aparecem ainda Otto Bauer sentado no carro e o escultor Mario Cravo, de pé usando chapéu de palha. Este protótipo ELVA IV era montado sobre um chassi tubular, diferentemente dos primeiros Elvas que utilizavam a plataforma Volkswagen.

ELVA IV da Equipe Cravo-Bauer, alinhado para uma corrida no Ceará. No centro Otto Bauer e o piloto Ivan Cravo.








O primeiro Elva da Cravo-bauer, vencedor da prova Norte/Nordeste de 1971 em Salvador, pilotado por Ivan Cravo. Nas duas fotografias abaixo, vejam os detalhes do painel e da traseira, onde da para ver os enormes carburadores Weber 48.


NOTÍCIAS DA ÉPOCA:

Nesta notícia de um jornal da época, nas quatro fotografias exibidas em que aparecem protótipos, três são Elva.

 Notícia sobre acidente com o protótipo Elva II da Cravo-Bauer, na curva do posto da Avenida Centenário.
Noticia em um jornal do Ceará, sobre Ivan Cravo e o protótipo Elva da Cravo-Bauer.

Noticia do Jornal da Bahia de janeiro de 1972, sobre o Elva III da Equipe RM, que foi o vice-recordista do Circuito da Avenida Centenário. 

 É desconhecido o destino do Elva GT e dos protótipos da Equipe Cobape e da Equipe RM, quanto aos dois protótipos da Equipe Cravo Bauer, foram destruídos em um incêndio que aconteceu no atelier do escultor Mario Cravo, onde os mesmos estavam guardados, juntamente com o Fusca e o Lorena GT da equipe.

NOTA: Segundo informações recebidas por Francisco Ribeiro, o ELVA GT foi visto pela ultima vez por ele há muitos anos passados, abandonado em um terreno baldio na cidade de Itaparica, de onde deduzimos que o mesmo não mais exista.

História dos Elva (PARTE 1):

História dos Elva (PARTE 2):

Matéria atualizada e corrigida em 10/11/2021


Old Races.blogspot.com

Produzido por MAURICIO DE CASTRO LIMA -  m.castrolima.arq@gmail.com

Material utilizado na matéria: fotos de jornais da época, anotações, fotos e desenho do autor, fotos do acervo dos pilotos Mario Monteiro, Ivan Cravo, Fred Leal e Carlos Medrado, fotos do acervo de Arthur Barros e Francisco Ribeiro, foto retirada de mestrejoca.blogspot.com, pesquisas na INTERNET.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

FOTO DO MÊS - abril 2018

- HISTÓRIA DO AUTOMOBILISMO BRASILEIRO -
 
Henrique Cassini com Ferrari, vencendo no Circuito de Petrópolis em 1957.

 
 Old Races
 
 oldraces.blogspot.com m.castrolima.arq@gmail.com